Livro: Metrô 2033, de Dmitry Glukhovsky
Postado por Pacha Urbano em 13 de outubro de 2010 em Livros com as tags 2012, apocalipse, Dmitry Glukhovsky, ficção-científica, fim do mundo, guerra nuclear, Livro, Metro 2033, Metrô de Moscou, pós-apocalipse, Rússia, Sci-Fi
O meu tema favorito é fim do mundo, o apocalipse, principalmente o pós-apocalipse, seja em filmes, animações, HQs, jogos ou livros. O volume de material é imenso já que a humanidade vive constantemente debaixo do medo de que isso aconteça, seja através da religião, da mitologia, da mídia ou da ciência. Quem aí não sentiu um friozinho na barriga quando veio notícias sobre o grande LHC, lá na fronteira entre a França e a Suíça? Ainda mais com a proximidade de 2012…
E é justamente neste ano que tudo começa em Metrô 2033, livro russo de ficção-científica, escrito pelo jornalista Dmitry Glukhovsky, recém lançado no Brasil pela Editora Planeta.
Sem muitas explicações, como se a informação tivesse se perdido no tempo, sabemos apenas que uma catástrofe nuclear assolou a Rússia e a maior parte da população morreu. Algumas pessoas conseguiram se refugiar nos subterrâneos do metrô de Moscou, para se proteger da devastação, e aqueles que não tiveram a mesma sorte sofreram os efeitos brutais da radiação.
Mais de 20 anos se passam e toda uma nova geração cresce dentro dos túneis do metrô e uma sociedade é desenvolvida ali dentro, fazendo com que a sobrevivência seja a regra principal do dia-a-dia. Alimentando-se de cogumelos, ratos, porcos e galinhas, a população moscovita digladia-se com a dura realidade da vida no subsolo.
É neste cenário pós-apocalíptico que acompanhamos a triste jornada de Artyom, sobrevivente da superfície que foi entregue por sua mãe nas mãos de soldados durante uma praga de ratos, e que passa a viver numa longínqua estação de metrô que, além de suportar todas as dificuldades de uma existência precária, é assolada por criaturas terríveis da superfície chamadas por eles de “demônios”, fruto da mutação causada pela radiação.
Sob constante ameaça de ataques das criaturas demoníacas da superfície, Artyom se vê na difícil tarefa de alertar outras estações do risco iminente de uma invasão massiva que porá em risco os últimos humanos da Terra. A missão lhe foi incumbida por Hunter, um dos poucos que fazem excursões na superfície de Moscou em busca de suprimentos para o povo do metrô, que desconfia do medo que assoma às mentes de quase toda população restante.
Em sua jornada através dos túneis do metrô, Artyom encontra-se com personagens curiosos, outros terríveis, e conhece zonas sombrias dentro de si mesmo que a vida em VDNKh, estação erma em que habita, nunca permitiria. Vemos aí a clássica trajetória do herói que vive em zona afastada, como Dorothy, de o Mágico de Oz, no Kansas, se vendo a confrontar e aliar-se com seres muito diferentes dos quais convivia no seu ambiente familiar e restrito. Artyom aceita o chamado que lhe é feito, mas muito por acidente do que propriamente por vontade, sendo resultado de uma soma de fatores favoráveis a situação. Em muitos momentos do livro vemos o personagem questionando a si mesmo e colocando seu altruísmo vazio em cheque.
Sem moeda local os habitantes usam cartuchos de metralhadora como dinheiro e o escambo é comum. Num esboço de sociedade como esta se abre espaço para pequenos feudos, máfias, fascismo, fanatismo religioso, esoterismo… não bastasse todo o sofrimento de um mundo arrasado por bombas nucleares e miséria, ainda somos apresentados a todas tristezas humanas. Onde há sofrimento há um poder por trás.
Fantasmas, hippies, nazi-fascistas, mercenários, canibais, místicos, revolucionários comunistas, fanáticos religiosos, comerciantes mesquinhos, mafiosos, mutantes, e toda escória humana se cruzam, ora empurrando o inexperiente Artyom de encontro a seu destino, ora fazendo-o perscrutar seu subconsciente, sua fé, suas crenças, confrontando-o consigo mesmo. Durante todo o livro somos conduzidos por túneis escuros, claustrofóbicos e também pelos sonhos do protagonista, que em diversas vezes são confundidos com a realidade.
Em outros livros sobre sociedades subterrâneas, como os juvenis Cidade das Sombras (City Of Ember, de Jeanne DuPrau) e a série Túneis (Tunnels, de Roderick Gordon e Brian Willians), acompanhamos sofridamente a dura rotina de se viver sem a luz do Sol, enfrentando os perigos dos subterrâneos, e nos maravilhamos com isso, porém em Metrô 2033, temos um ambiente familiar completamente transformado, em que estações são aldeias e as pessoas são obrigadas a suportarem a penúria para continuarem vivendo.

Típica estação do metrô, cena do jogo Metrô 2033
Todo o tempo o autor nos apresenta um novo cenário, familiar é verdade, mas novo em sua deterioração moral e social, explicitando os estereótipos com os quais convivemos hoje, dos interesses políticos às fábulas religiosas, e no meio de tudo nos sentimos tão perdidos e desiludidos na labiríntica rede de metrôs de Moscou, verdadeira metáfora da vida em sociedade hoje.
Metrô 2033 é uma ficção-científica de primeira. É um livro tenso, de suspense e terror, pontuado por ação desenfreada e combates assustadores com criaturas deformadas. De linguagem fácil, sem muito palavrório, e narrativa dinâmica, a leitura seria agradável não fossem as constantes consultas ao Mapa de Metrô de Moscou, estampada no interior da capa na edição nacional, que por outro lado, torna ainda mais viva a experiência vivida por Artyom.
Entra facilmente para os clássicos do gênero, como Eu Sou A Lenda, de Richard Matheson, e A Estrada, de Cormac McCarthy, tanto que só na Rússia vendeu até 2009 mais de 400 mil cópias e hoje já foi traduzido para mais de 20 idiomas.
O livro inspirou o jogo homônimo de tiro em primeira pessoa, produzido pela 4A Games, que é sucesso absoluto, tendo recebido pontuações altíssimas não só em jogabilidade (tem uma engine própria), como também em enredo. Não é para menos: o livro está repleto de cenários, criaturas e situações que rendem conteúdo visual fantástico. O jogo está sendo vendido também pelo Steam, mas ainda é caro para os bolsos brasileiros.
Não duvido que hoje os direitos do livro já tenham sido comprados por algum estúdio de Hollywood, ou mesmo russo, para uma adaptação cinematográfica. Será um tremendo filme!
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Pacha Urbano devorou este livro em três dias e não via a hora de publicar suas impressões! =)








Realmente,no ano 2030,as civilizacoes,saerao outras,a calca jeans,os nossos modernismo hoje,estao ultrapassados,quem sabe o mundo podera passar uma grande transformacao,isso dependera do que estamos fazendo momento com meio ambiente,um abraço
Considerando que o mundo de 1970 e o mundo de 2010 são bem diferentes, mas nem tanto, acredito que o mesmo se dará com 2030: mais avanços e sofisticações tecnológicas e revoluções sócio-culturais significativas, porém de pouco impacto moral. Em termos de meio ambiente acho que estaremos mal das pernas se não forem tomadas atitudes preventivas agora, hoje, ontem. A realidade retratada neste livro é alarmante, porque foi causado um apocalipse nuclear em escala global. Não acredito que enfrentaremos isso, mas poderemos sofrer com escassez de recursos naturais, como água potável. De qualquer forma, aconselho a leitura deste livro. É um excelente entretenimento! =)
Não sou muito fã de livros sobre apocalipse, mas ganhei esse livro como presente de Natal. Comecei a ler ontem e estou aproximadamente na metade… Adorei o enredo, achei extremamente criativo e envolvente, prende o leitor na história. O ônus é ficar voltando o tempo todo para ver o GUIA, q é muito confuso e muitas vezes os nomes do enredo não batem com os verdadeiros nomes das estações (foram feitas traduções desnecessárias) e nos deixa confuso. Recomendo esse livro para todos, mesmo os que não curtem zumbis e histórias sobre o fim dos tempos. Se não gostar, pelo menos uma coisa é certa: Você nunca irá se perder em Moscou…
Depois que assisti aos filmes Guardiões da Noite e Guardiões do Dia – e saber que foram lançados lá fora como livros e por aqui nem sinal – me bateu muita curiosidade de ler este Metrô 2033. Claro que é um tema que me fascina, mas não deixo de elogiar a maneira como Glukhovsky escreve: dinâmico, eficiente e econômico. Pode dizer: você não fica com pena do livro estar acabando?
Um forte abraço!
Eu estou achando um ótimo livro pois não acabei de ler ainda porêm o autor está de parabéms pois não são todos os livros que me prendem como Metrô 2033.
Eu queria muito jogar este vídeogame também, Bruno. Deve ser muito interessante!
=)
cara eu tenho esse jogo e ele e muito legal man show mesmo
eu joguei esse jogo e virei , ele e muito maneiro, e um jogo de estrategia ,as fazes são muito difíceis ,coando eu virei cara eu fiquei tão feliz, o jogo e muito bom eu recomendo e o livro tambem é
Eu ainda não li o livro, mas apenas jogando me interessei muito pela historia, é dificil criar um jogo com tanta historia e ao mesmo tempo tanta interação e ação, jogo digno de ser comparado com grandes titulos, God of War por exemplo, quando o jogo acaba, passa pela sua cabeça “sera que acabou mesmo? não pode ser”
Eu lí o livro e adorei! Tb me amarro muito em livros ou filmes que tenham como tema o fim dessa bosta de mundo, apocalipse e tal, estilo Mad Max e afins, como esses exemplos citados pelo autor do texto. Tb curto muito filmes de zumbi.
Gostaria muito que fosse lançado uma continuação desse livro, já que o final, apesar de levar a crer que Artyom morreu, devido à exposição ao ar exterior, deixa um “espaço” para uma segunda parte, já que se comprovou que os mutantes, que eles tanto temiam, não eram tão maus assim (pelo menos aqueles). Tentarei entrar em contato com ele, para trocar uma idéia. Vcs poderiam me ajudar, o que acham?
Até onde sei, Alex, a continuação da história se deu no videogame que já está no volume 2. Quanto ao livro, não consegui informações suficientes sobre uma continuação, tudo é especulação. No Brasil são poucas as editoras que se interessam pelo tema, e menos ainda pelos escritores russos da atualidade. Veja o caso da trilogia Guardiões da Noite, Guardiões do Dia e Guardiões do Anoitecer, de Sergei Lukyaneneko, inéditos no Brasil, em que só conhecemos suas duas adaptações para o cinema (Guardiões da Noite, de 2004, e Guardiões do Dia, de 2006). Tem em inglês, mas em português é difícil de achar. Fiquei até empolgado que com este livro Metrô 2033 despertasse o interesse do lançamento destes últimos, mas até agora nada. É torcer.
Livro: Metrô 2033, de Dmitry Glukhovsky! http://bit.ly/axQfpn
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Crítica do livro sci-fi Metrô 2033, de Dmitry Glukhovsky, lá no @thenerdbox: http://www.nerdbox.com.br/2010/10/13/livro-metro-2033/
Livro: Metrô 2033, de Dmitry Glukhovsky http://bit.ly/c3rG0P #nerdbox
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Metrô 2033 – o livro que inspirou game sobre a vida pós-apocalíptica no Metrô de Moscou entrou para minha nerd-wishlist http://bit.ly/gOhr6T
(Livro) Metrô 2033, de Dmitry Glukhovsky – http://www.nerdbox.com.br/2010/10/13/livro-metro-2033/