Transformers: Prime

Postado por David Nery em 06 de dezembro de 2010 em Cinema e TV com as tags , , , , , , , , , , , , , , , ,

A nova série animada dos Transformers estreou no último dia 29 nos Estados Unidos como um dos carros-chefes no novo canal de TV norte-americano chamado The Hub, que é uma joint-venture da Hasbro com o grupo Discovery Communications.

(ATENÇÃO! Já vou avisando que há alguns spoilers nesse review. Leia por sua própria conta e risco!)

Transformers: Prime é produzida por Jeff Kline (também responsável pela produção das séries animadas de Max Steel, As Novas Aventuras de Jackie Chan, Extreme Ghostbusters e Homens de Preto) e pela dupla Roberto Orci e Alex Kurtzman (produtores das séries Fringe, Alias: Codinome Perigo e de filmes como o recente ‘reboot’ de Star Trek e Cowboys & Aliens, que ainda não estreou nas telonas). Orci e Kurtzman também assinam os roteiros dos filmes Transformers e Transformers – A Vingança dos Derrotados, o que acaba influenciando em diversos momentos dos episódios exibidos até agora.

Os Autobots: Ratchet, Bulkhead, Optimus Prime, Arcee e Bumblebee

A série conta a história de um grupo de Autobots (Optimus Prime, Arcee, Bumblebee, Bulkhead, Ratchet e Cliffjumper), que estão refugiados na Terra e, ao mesmo tempo, protegendo nosso planeta dos Decepticons, liderados por Megatron cujo interesse é extrair todas as reservas de Energon, derrotar os Autobots e destruir a Humanidade. Durante suas incursões, os Autobots acabam esbarrando com os adolescentes Jack (o mais velho e mais responsável, porém, em eterno questionamento sobre seu lugar no mundo), Miko (a impulsiva e inconsequente roqueira que está sempre de bom humor) e Raf (o caçula da turma, também é o mais geek dos três e sua habilidade com computadores acaba ajudando os Transformers em diversos momentos da série). A partir do contato com estes três, Optimus decide incorporá-los na equipe dos Autobots, uma vez que este foi o único jeito de mantê-los a salvo dos Decepticons. O outro humano que interage com os Transformers é o Agente Fowler, um agente do governo que monitora constantemente as atividades dos robôs e vez o outra dá umas incertas no quartel-general dos Autobots para pagar inúmeros esporros em Optimus Prime.

Os humanos Jack e Raf

Ao contrário das últimas séries animadas em 2D, Transformers: Prime é toda animada em 3D. Entretanto, é impossível ver o resultado final e não se lembrar imediatamente da série Transformers: Beast Wars, produzida há 15 anos, onde o ótimo acabamento dado aos robôs contrastava com os cenários mais ou menos. Considerando a evolução da computação gráfica no período entre Beast Wars e Transformers: Prime, o fato de ambas terem praticamente o mesmo resultado final não conta pontos positivos para a série do canal The Hub.

Starscream

A caracterização dos personagens é outra coisa que não apresenta novidades tanto visualmente como em suas personalidades. São praticamente os mesmos personagens da série Transformers Animated que foram transpostos para Transformers: Prime, com exceção de Optimus Prime, Bumblebee e Arcee, que incorporaram suas versões dos filmes do diretor Michael Bay. No lado dos Decepticons, Megatron e Starscream também são praticamente versões 3D de suas caracterizações de Animated. Só dois personagens merece alguma menção: Soundwave, cuja caracterização ficou bem bacana com um visual bem creepy e se transformando numa espécie de avião de espionagem não-tripulado; e Cliffjumper, um Autobot que estava esquecido desde a série clássica dos anos 80 e foi resgatado em Transformers: Prime, porém, serviu apenas como boi-de-piranha do mesmo jeito que aconteceu com o Autobot Jazz no filme Transformers lançado em 2005.

O Autobot Cliffjumper

Em relação à história, é um outro quesito onde vemos mais do mesmo. Inclusive, muitas soluções de roteiro dadas são exatas reproduções de situações que Orci e Kurtzman usaram nos filmes live-action dos robôs vindos de Cybertron: o momento em que Optimus explica todo o cenário para os humanos, a quase submissão dos Autobots ao governo, o fato deles se preocuparem em não serem notados pelos humanos, a forma como Cybertron é retratado e até mesmo a cena final do 5º episódio é uma reprodução do final do longa live-action de 2005 com falas diferentes! O Bumblebee desta série também não falar. Aliás, a única diferença do tratamento dado para este personagem com sua versão live-action é que em Transformers: Prime, Bumblebee se comunica com ruídos bem parecidos com os emitidos pelo R2D2 nos filmes de Guerra nas Estrelas, enquanto que no filme, ele se comunicava misturando estações de rádio.

Drones Decepticons

Uma coisa interessante foi a inclusão do conceito de Dark Energon na história, que é uma espécie de substância que é o oposto do Energon: enquanto este é o combustível que dá vida aos Transformers, o Dark Energon revive os Transformers mortos. Associar a origem deste elemento com Unicron pareceu ser uma boa ideia de início, mas, no fim, só serviu como desculpa para colocar os Autobots lutando contra robôs-zubis. Uma vez que Megatron tem acesso ao Dark Energon é quase certo que veremos Transformers-zumbis aparecendo ao longo da série com certa frequência a menos que se descubra uma outra utilidade ou uma outra faceta para a substância.

Megatron segurando uma amostra de Dark Energon

Transformers: Prime tem a direção de dublagem nas mãos de Susan Blu, que não só dirigiu a dublagem de Beast Wars e de Transformers: Animated, como também dublou a Arcee na série clássica (inclusive, ela também dublou a mesma personagem na série Animated). Além dela, temos Peter Cullen e Frank Welker com as vozes de Optimus Prime e Megatron, respectivamente. Ambos dublaram os personagens na série clássica sendo que Cullen ainda emprestou sua voz para a versão live-action de Optimus Prime nos filmes de 2005 e 2007. Outra escalação curiosa para o elenco de dubladores é Ernie Hudson para dublar o Agente Fowler. Para quem não sabe, Hudson nada mais é do que o ator que interpretou Winston Zeddmore nos filmes dos Caça-Fantasmas. Infelizmente, há uma chance enorme desta série ser dublada em São Paulo, então se estavam esperando ouvir as mesmas vozes brasileiras usadas nos personagens dos filmes live-action, é melhor esquecerem essa ideia. Só espero que seja lá quem for dublar essa série, que façam o trabalho com muito carinho e respeito que os fãs merecem e não fazer uma coisa feita a toque de caixa como são a maioria dos programas exibidos na TV a cabo.

Bumblebee, Bulkhead e Arcee

Desde a primeira aparição dos Transformers na mídia, sempre foram tratados como uma série para vender brinquedos e nada mais que isso, o que é uma pena, pois a mitologia cybertroniana é riquíssima e arrisco dizer que tem material suficiente para se desenvolver histórias que poderiam ser tão cultuadas como Guerra nas Estrelas, Senhor dos Anéis e Jornada nas Estrelas, por exemplo. Em vez disso, é mais negócio ficar recontando a mesma história para jogar no mercado brinquedos de inúmeras versões diferentes dos mesmos personagens que já são conhecidos há mais de vinte anos e é exatamente essa impressão que Transformers: Prime passa nos primeiro cinco episódios: é divertido, mas não empolgou justamente por ser mais do mesmo.